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Deidimar Alves Brissi Ampliar foto.

 

IMPRENSA

Físico lança livro de poesia


O que se espera de alguém da área de exatas é raciocínio lógico, pensamento linear, conhecimentos complexos, habilidades com fórmulas e números. Mas, de tempos em tempos, sempre surge alguém desta área que nos surpreende seja no mundo da música, das artes, da literatura... Este é o caso do físico Deidimar Alves Brissi (35 anos). Casado pai de três filhos, além da formação em Física, tem mestrado em Astrofísica, professor por vocação, desenvolve trabalhos na área de meio ambiente e agora acaba de lançar Esperança, seu primeiro livro. E para surpresa dos seus alunos, não é um livro técnico, é um livro de poesia.

Pessoa simples, Deidimar não faz questão do título de poeta, diz que o que mais lhe agrada é mesmo ser chamado professor. “Poeta é um estado de espírito natural a qualquer ser humano sensível.” diz Deidimar.

Mas, não pense que os poemas dele tratam de Física Quântica, fórmulas ou buracos negros. Dono de uma sensibilidade notável, Deidimar vai muito além. Vai do lírico ao concretismo, da poesia romântica à social. Seus poemas buscam fugir do lugar comum e não dar asas à hipocrisia. Ele trata uma cena comum com um olhar muitas vezes surpreendente e, em outras, a abordagem é incrivelmente direta. O incauto, que fizer uma leitura rápida e superficial, pode achar que faltou final em algum poema, ou, achar outros, extremamente simples. Mas, por de traz de uma construção simples do poeta, ou melhor, do professor, sempre se pode encontrar um significado extremamente sensível, sofisticado e inteligente.

Ele surpreende em várias situações. No poema Declaração (que fala de amor) ele diz: “Mais do que o masoquista ama a dor / E o hipocondríaco o remédio / Eu vivo para te amar!” Sua obra está repleta de críticas aos preconceitos humanos, no poema Tribunal ele escreveu: “Por que me avalias por onde eu moro? / Por que me medes pelo que tenho?” Na contramão das tendências em exaltar a periferia ele fala em Hipocrisia: “Não farei apologia à favela, / Não colorirei a miséria, / A favela é cinza, vermelha e marrom / E suas fotos são preto e branco!” E no mesmo poema continua: “Quem põe beleza em um barraco / Nunca lá esteve durante uma tempestade”.

Pode-se dizer que o lançamento deste livro marca o “nascimento” de um poeta original. Esperança irá tocar as pessoas que gostam de ler um texto inteligente e sabem apreciar um bom poema. E talvez possa indignar e impressionar quem está acostumado a seguir os modismos, olhando o mundo superficialmente. E ainda como livro de poesias, ele cumpre o papel tratar dos temas que são inerentes ao ser humano: a existência, a morte, o amor, a amizade, a natureza, o comportamento humano... E assim, ao longo de suas páginas o livro emociona, mas também provoca.

Quem é Deidimar Alves Brissi?

Deidimar Alves Brissi nasceu na fazenda de seu bisavô no dia 20 de agosto de 1972 em Cosmorama, Estado de São Paulo. Filho único dos agricultores Laercio Brissi e Maria Izabel Alves Brissi. Morou na mesma casa onde nasceu até os 12 anos, quando a família mudou-se para o município vizinho, Américo de Campos. Estudou até a quarta série na escola rural do bairro do Scriboni (Cosmorama), o primeiro semestre da quinta série na cidade de Cosmorama e concluiu o antigo curso colegial em Américo de Campos. Licenciou-se em Física na Unesp, campus de Rio Claro em 1995. É Mestre em Física e Astronomia pela Universidade do Vale do Paraíba (São José dos Campos/SP). É casado com Luciene Auxiliadora da Silva Brissi, tem três filhos. Atualmente reside em São José dos Campos onde é professor de Física.

Começou sua produção literária em 1990 quando sua professora de Biologia Maria Isabel Gil Gimenes enviou para o jornal Folha de Votuporanga uma redação produzida em sua aula. A redação era uma crônica intitulada Ecologia, foi escrita na Escola Municipal de Américo de Campos (SP). A redação não só foi publicada, como o autor passou a ser colaborador do jornal, publicando várias outras crônicas. A partir daí passou a colaborar com vários outros jornais e revistas, publicando poemas, crônicas e contos.

Alguns poemas

NEM TUDO PASSA

As fortunas passam...
Passam as ilusões da vida.
A fama é esquecida.
Passam com os anos, passam...

Passa o poder temporal.
Passa toda a iniqüidade,
Só vai ficando a bondade.
Passando tudo que é mal.

As lágrimas que secamos,
As alegrias que damos
Isto nunca é esquecido.

Todo amor, toda verdade
Ficará para eternidade.
Não passará, meu amigo!

O MENINO DESCALÇO

Na beira da estrada havia um menino
Que empinava pipa com os pés no chão.
Cabelo queimado, rosto suado, corpo franzino
Corria, pulava, era só alegria, era só coração!

E pela estrada um homem passou
E viu o menino com os pés no chão.
– Vai pegar uma doença! – logo gritou
– Vai morrer com vermes e de infecção!

E pela estrada, outro homem passou
E viu o menino sem proteção
De tão emocionado ele até chorou
Em ver tanta pureza com os pés no chão!

NÃO PRENDA A LÁGRIMA

A lágrima que você prende
Faz muito mal a você
Machuca e não se entende
Esmaga e ninguém vê

Aperta sua garganta
Corrói o seu coração
A alegria espanta
Sem nenhuma compaixão

Por isso, não prenda a lágrima
Deixe que vá embora
Cada instante é uma página
E o momento é o agora

VIVER

Quem nunca sentiu a alma partida,
Nem tem uma cicatrizada ferida,
Quem não tem amor nesta vida,
Quem nunca chorou na partida,
Não sabe a vida que tem!

PROBLEMAS MODERNOS

Vou comprar um despertador
Por um motivo inusitado
Começou o horário de verão
E meu galo ficou atrasado!

PALHAÇO

Prefiro ser um palhaço
De golas grandes, nariz vermelho
A ser tratado como palhaço
Sem o sê-lo!

MEU LUGAR

Se tu fostes onde eu fui
Se tu fizestes o que fiz
Se tu sentistes o que senti
Se tu bebestes o que bebi
Se tu comestes o que comi
Se tu amastes quem eu amei
Se tu soubestes o que aprendi

Se tu estivestes onde estou
Se tu fizestes o que faço
Se tu sentistes o que sinto
Se tu bebestes o que bebo
Se tu comestes o que como
Se tu amastes quem eu amo
Se tu soubestes o que aprendo

Se tu fores onde eu irei
Se tu fizeres o que farei
Se tu sentires o que sentirei
Se tu beberes o que beberei
Se tu comeres o que comerei
Se tu amares quem amarei
Se tu souberes o que aprenderei

Tu não seriais você, serias eu
E não me olharias assim!

GUERRA

Enquanto o Sr. Ministro
Justificava a necessidade da guerra
Para salvar o mundo...
Diante da casa destruída,
Ajoelhados, perto da mãe caída,
Os dois irmãos
Imploravam
Para ela levantar!

O POETA ENXERGA

o que ninguém vê
o que todo mundo vê
mas, não sente!

GRAMÁTICA PRÁTICA

Você pode ter bons adjetivos,
Ser proprietário de muitos substantivos,
Seu nome pode ter respeitados pronomes,
Mas se no seu caminho não há verbos
Nada mais tem sentido!
Pois são os verbos,
Que geram e sustentam a vida!

AMOR

Amor que prende, que aprisiona,
Amor que agride, causa dor,
Amor que briga, que pressiona...
Jamais! Jamais! Será amor!

EXPLICAÇÃO

Eu sei que, às vezes,
Exijo muito de você.
Que só peço sua ajuda.
Só com você divido minhas mágoas.
Mas, ninguém a ama como eu
E só com você compartilho
Minhas mais íntimas bactérias!

 

Contatos

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